Apesar da derrota, o orgulho

Valtinho na marcação de Marcelinho

Valtinho na marcação de Marcelinho

 

Estive presente no estádio Nilson Nelson, em Brasília, para acompanhar o quarto jogo válido pela final melhor de cinco da NBB e literalmente me arrepiei de alegria e de tristeza. O Flamengo perdeu para o Universo por 82 a 78, e por isso o arrepio de tristeza. Depois de empatar em 70 a 70 no tempo normal, num jogo extremamente emocionante, não conseguimos ser campeões sendo visitantes. Mas não é sobre a partida que comentarei, e sim sobre o jogador a mais do Flamengo: a torcida.

Chega a ser irritante. A Nação rubro-negra lota sua parcela de espaço no estádio. Até aí nenhuma novidade, mas não existe nenhuma torcida no mundo que jogue junto com o time quanto a do Flamengo. É algo inexplicável. Não paramos de torcer o tempo todo, apesar de diversas vezes estarmos atrás no placar (peço desculpas por colocar em primeira pessoa, mas percebi que não existe Flamengo sem torcida e vice-versa) e relato aqui como a torcida “joga”:

Antes mesmo do começo do jogo, a Nação gritava, cantava, aplaudia, reverenciava. Com isso, o Flamengo começou o jogo abrindo 7 a 0. Fomos a loucura! O Brasília reagiu, chegou no placar. Paramos? Não, somos flamenguistas! Flamenguista não torce contra, apenas cobra, flamenguista não deixa de torcer, apenas se concentra para emitir energias positivas ao time. Foi nesse momento de “concentração” da torcida, que o Brasília passou no placar.

Mas, como num vulcão em erupção, a torcida se flama novamente. Gritos, cantorias e muita vibração. O Flamengo literalmente joga com um jogador a mais. O time percebe, é empurrado, e passa de novo no placar. Apesar de no basquete a virada de placar seja natural, percebi que o Flamengo reagia com muito mais intensidade quando a torcida reagia nas arquibancadas. Por diversas vezes achei que meu celular, que estava no bolso, estaria vibrando. Grande ironia, era a arquibancada! O Flamengo devia ser excluído de todas as modalidades de esportes com torcida, já que jogar com um jogador a mais que o adversário está fora das regras! 

Tenho a certeza que domingo às 10h da manhã, no Rio, ao lado da torcida, não tem para ninguém! É Flamengo no cabeça, nas mãos e no coração.

Patrick Martin

O primeiro passo à final!

Fábio Luciano levanta a Taça Rio

Fábio Luciano levanta a Taça Rio

 

O começo foi truncado. O fim, merecido. Flamengo e Botafogo fizeram no domingo um jogo digno de final. Começando pela torcida rubro-negra. O público presente era de pouco mais de 83 mil pessoas e, claro, com mais da metade flamenguista. Com gritos do começo ao fim e novas coreografias, a Nação fez por merecer a vitória.

A partida começou bastante estudada pelos dois times. Jogo truncado, fechado e muitas faltinhas marcaram presença no primeiro tempo. A primeira chance foi de Emerson, novo titular do Flamengo, num chute rasteiro que foi para fora. O Mengão continuava envolvendo o Botafogo, com toques rápidos e curtos. Kléberson e Juan fizeram uma bela tabela, mas na hora do cruzamento o zagueiro botafoguense afastou na hora.

O Botafogo chegava nos contra-ataques. Foi então que tiveram sua primeira grande chance. O trio botafoguense funcionou. Reinaldo tocou no alto para Maicosuel, que mata no peito e deixa Victor Simões na cara do goleiro Bruno. Simões ao invés de chutar de direita, prefere a esquerda, chuta muito mal para fora e perde grande chance.

Agora a melhor chance do Botafogo no jogo: Lançamento longo da defesa ao ataque. A bola parecida dominada para o Flamengo, mas Willians perde o tempo da bola, que bate em seu ombro e sobra limpa para Maicosuel, que acerta o pé da trave de Bruno.

Antes de continuar a análise da partida, gostaria de ressaltar a atuação de Willians. Chegou ao Flamengo como um desconhecido e hoje caiu nos braços da Nação, merecidamente. Com uma marcação individual, sem faltas, roubadas de bola absolutamente perfeitas e ainda por cima saindo para o jogo, nosso “Paul Tergat” simplesmente invalidou Maicosuel, que não viu a cor da bola.

Agora continuemos. Falta para o Botafogo. De muito longe. Muitos, dali, não acreditariam nem em Roberto Carlos. Juninho foi para a cobrança e acertou um “tirambaço”, que passou muito perto do ângulo do Bruno, que só pulou por obrigação. O Botafogo tinha as melhores chances.

Mas o Flamengo tinha mais posse de bola. Já no segundo tempo, Kléberson aparece na entrada da grande área, de frente para o gol de Renan, chuta bem de esquerda e obriga o goleiro do Botafogo a fazer grande defesa. A partir daí só deu Flamengo.

Falta para o Flamengo pelo lado esquerdo de ataque. Juan vai para a cobrança. Dali, só o cruzamento. Ele manda na confusão da pequena área, Angelim cabeceia para o lado e Emerson toca de canela para o fundo do gol. Gol do “Sheik”? Não, gol contra do zagueiro do Botafogo, com mesmo nome que nosso atacante. Um gol contra “a favor”. A Nação explode, o Maraca treme e o Flamengo, com esse gol, vai para a final.

Com o Botafogo atrás no placar, a tendência era de que o time de General Severiano partisse para cima para tentar o gol. Mas Thiaguinho partiu para cima foi do Juan. Nosso lateral-esquerdo recebeu bola de Angelim, driblou o jogador do Botafogo, que deu um carrinho maldoso e foi expulso.

Com um a mais, o Flamengo teve a chance de aumentar o placar.  Fábio Luciano primeiro intercepta um lançamento do ataque botafoguense. Domina no peito com muita categoria e aparentemente dá um chutão para frente, apenas para afastar o perigo. Aparentemente. Como num lançamento à Zico, a bola chegou para Josiel, que havia entrado no lugar de Emerson, na cara do gol. Josiel bate de esquerda, por cima da meta de Renan.

E não foi só isso. Josiel vem pelo meio. Eram quatro rubro-negros contra três botafoguenses. Era a hora de matar o jogo. Nosso atacante lança Juan pelo lado esquerdo, que cruza para Erick Flores, que havia entrado há pouco tempo. O garoto dá um peixinho lindo, mas não alcança a bola. Seria seu primeiro gol como profissional do Flamengo.

E foi isso. Só pudemos comemorar depois do apito final. Mas valeu a pena esperar. O Flamengo vai à final do Campeonato Carioca, e não foi dessa vez que o Botafogo conseguiu acabar com o retrospecto negativo depois de 3 anos seguidos ouvindo a torcida gritar “vice de novo”. É preciso pés no chão, afinal vencemos uma batalha, mas a guerra ainda está por vir. E ela é marcada por ida e volta. Mas podemos gritar sim “É campeão!”

Patrick Martin

Será a hora da decisão?

O confronto acontece no Maracanã, neste domingo, a partir das 16h

O confronto acontece no Maracanã, neste domingo, a partir das 16h

 

Não é apenas um confronto. Muito menos uma mera final de segundo turno. Flamengo e Botafogo se enfrentam nesse domingo, no Maracanã, pela Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, e podem decidir muito mais do que se imagina.

Se o Flamengo vencer o jogo de amanhã, o Mengão se torna Campeão da Taça Rio e obriga o acontecimento de mais dois jogos, ida e volta, para a decisão do Campeonato Carioca. Já se, por um acaso, o Botafogo conquistar a vitória no Maracanã, ele não só conquista o segundo turno, como o próprio Campeonato Carioca, já que venceu também a Taça Guanabara, primeiro turno. Acha que é muito? Tem muito mais.

Vamos recapitular: Campeonato Carioca de 2007, o Flamengo vence o Madureira por 4×1 e conquista a Taça Guanabara. O Botafogo passa pelo Cabofriense, por 3×1 e fica com a Taça Rio. Na decisão deu Flamengo, nos pênaltis, num jogo repleto de confusões. Era o começo da rivalidade.

Campeonato Carioca de 2008. Taça Guanabara. Flamengo enfrenta justamente o Botafogo, vence por 2×1 e levanta a Taça Guanabara. Uma pitada do que vinha mais tarde. Pela Taça Rio, o Botafogo vence o Fluminense por 1×0 e vai à decisão do Campeonato com você já sabe quem. Em mais um jogo conturbado, o Flamengo passa mais uma vez pelo Botafogo e pela trigésima vez conquista o Campeonato Carioca. Foi o ano do famoso “chororô”.

Portanto, o Botafogo vai entrar “mordido” na partida para acabar com esse retrospecto negativo. Por outro lado, todos sabem que se deixarem o Flamengo chegar à final, tenha cuidado: perigo na certa.

E agora?

Campeonato Carioca de 2009. O Botafogo conquista a Taça Guanabara vencendo o Resende por 3×0. O mesmo Botafogo chega à final da Taça Rio, com o então temido Flamengo e…

 

Patrick Martin

Nós trememos…o Maracanã

Léo Moura e Fábio Luciano comemoram a vitória sobre o Flu

Léo Moura e Fábio Luciano comemoram a vitória sobre o Flu

O jogo marcava talvez a despedida de Fábio Luciano com a camisa do Flamengo. Nosso “Xerife” terá que esperar um pouco mais. Por sinal, ele poderia dizer que só se aposentaria com uma derrota do Flamengo, só assim os jogadores dariam o sangue e o suor pelo nosso capitão. Uma motivação a mais para este jogo foi uma tal declaração de um tal presidente…já falo mais sobre isso.

O começo do jogo foi eletrizante. Flamengo foi Flamengo. Chegou num toque de letra de Zé Roberto, cruzamento do Juan na cabeça de Léo Moura, que manda por cima do gol. O Fluminense foi Fluminense. Chegou com perigo, mas Fred também cabeceou por cima.

A partida foi rolando, e só se via o Flamengo jogar. Com um futebol envolvente tanto ofensiva quanto defensivamente, o Mengão fez sua melhor partida no ano até então.

Foi quando, depois de muito chegar ao ataque, o prêmio. Juan recebe pela terceira vez livre de marcação, olha para a área e…chuta pro gol. Fernando Henrique engole um belíssimo frango. Não é a toa que é chamado “carinhosamente” de “mão de quiabo”.

O que mais me arrepia é ver a maior torcida do mundo gritando no Maraca. Depois do gol do Juan, percebi que a partida estava sacramentada com uma vitória nossa. Nada e nem ninguém conseguiria parar o Flamengo, estando empurrado pela Nação. Aliás, nem mesmo o Horcades.

Durante a semana o atual presidente do Fluminense, Roberto Horcades, fez uma declaração dizendo que “toda vez que o Flamengo enfrentava o Fluminense, tremia”. Doce Ingenuidade. Só fez nos motivar ainda mais.

Quem parece que tremeu na base foi Josiel. Quando Léo Moura roubou a bola de Luiz Alberto e ficou na cara de Fernando Henrique, os flamenguistas já gritavam gol. Ele perdeu. Por sorte o rebote do goleiro tricolor voltou para o lateral, que tocou para Josiel, deixando-o na posição em que todo atacante pede a Deus: na pequena área, sem goleiro. Mais uma vez a torcida rubro-negra gritava gol, e mais uma vez calou-se. O atacante, e vice-artilheiro do Campeonato Carioca, com onze gols, conseguiu fazer o mais difícil: chutar emcima do zagueiro Edcarlos, que se jogou para cima da bola.

O lance de maior perigo a favor do Fluminense foi uma bola que bateu na junção das traves, numa falta batida por Thiago Neves, mas que acabou sendo ofuscado pelas chances perdidas pelo Rubro-negro.

Tais chances ocorreram no segundo tempo, quando o Tricolor das Laranjeiras partiu para o ataque, sem força alguma, e abriu espaços para o contra-ataque. Anotem aí: Zé Roberto, Emerson, Emerson de novo e Léo Moura ficaram na cara de FH e não mataram o jogo. Aliás, o lance do lateral-direito rubro-negro foi o lance mais prepotente. Emerson tabelou com Ibson, avançou até a grande área e preferiu tocar para Ibson de novo ao invés da conclusão. Eram três flamenguistas contra um tricolor. O volante se enrolou um pouco com a bola e tocou para Léo Moura, que dominou e chutou paralelo, para a defesa do goleiro tricolor. Parecia rachão, mas a vitória já estava nas mãos. Ou talvez nas palavras.

Quem vai para a final é o Flamengo. Quem vai se arrepender vai ser o Horcades, e consequentemente, o Fluminense. Quem vai ser Campeão Carioca? Domingo que vem a resposta…

Patrick Martin

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